13.11.07

Sinastria

O meu signo combina com o dele (a)?

Não é raro acontecer, quando estou numa reunião social e me apresento como astróloga, de eu ser “vitima” da seguinte pergunta: estou namorando um rapaz e ele é de Aquário, eu sou de Gêmeos, você acha que a gente combina? Ou então; briguei com meu namorado, acho que a gente não combina, eu sou de Libra e ele é de Câncer, já li que nossos signos não combinam e tem sido mesmo bem difícil nosso relacionamento, o que você acha?

Infelizmente existem alguns conceitos que são tão relativos que não deveriam nunca ser publicados ou ditos sem um cuidado extremo e este é um deles. Isto não vale somente para a astrologia e para os astrólogos, quantos conceitos científicos, médicos, nutricionais, estéticos, comportamentais, são publicados diariamente e que na prática se mostram inconsistentes? Isto acontece porque cada um é cada um e um conceito que pode atender, digamos, a maioria, não necessariamente é bom para este ou aquele indivíduo, que obedece às suas próprias leis biológicas, estéticas, psicológicas, afetivas, culturais, espirituais, religiosas e comportamentais.

Este conceito astrológico de combinação de signos (de signos, não de pessoas) é fundamentado na análise dos elementos onde: fogo e ar que são signos masculinos de dinâmica extrovertida são compatíveis entre si, enquanto os de água e terra, signos femininos de dinâmica introvertida são compatíveis entre si. Apenas isso, nada além disso.

Existe um estudo em astrologia que se chama Sinastria e que consiste em comparar dois mapas de duas pessoas que convivem ou pretendem conviver, seja através de uma parceria amorosa, de uma sociedade comercial, entre pais e filhos, patrão e empregado... Esta técnica existe porque cada indivíduo, de acordo com sua data, hora e local de nascimento possui um mapa astral que é absolutamente único, como já disse aqui inúmeras vezes. Da mesma forma o “outro” terá também seu próprio mapa com todas suas particularidades. Pois bem, a Sinastria consiste em fazer uma análise detalhada de cada mapa e só então o astrólogo poderá dizer se “o seu signo combina com o dele”, na verdade a pergunta também muda para: “o meu mapa combina com o dele?”

Disto tudo, ainda resta uma grande questão: Existe algo neste mundo que seja perfeito? Melhor; existe neste mundo ausência de conflitos, quando se trata de colocar diferenças em convívio? A resposta é não. Não existe convivência sem conflitos, assim como não existe atitudes sem conflito, assim como não existe VIDA sem conflitos.

Nossa maior ilusão é pensar que em alguma situação da vida, o conflito possa ser evitado. Talvez nessa ilusão esteja a fonte da grande angústia existencial. E não é justamente o conflito que nos faz crescer? Rever nossas próprias atitudes? Expectativas? E estas, por sua vez, não advêm justamente da ilusão da perfeição?

Portanto, creio que a pergunta certa, para que se obtenha uma resposta razoável tem que ser feita a si mesmo e esta é: Estou disposta (o) a viver essa situação com suas dores e delícias? Estou realmente apaixonada (o)? Ou ainda melhor, o que espero de uma relação amorosa? De uma parceria comercial? Que tipo de experiência estou disposta (o) a ter na minha vida em relação à convivência com meus filhos? Que tipo de disposição para os relacionamentos espero de mim, no ambiente de trabalho, para ter o melhor em termos profissionais e tornar meu cotidiano fonte de satisfação pessoal?

Creio que estas perguntas nos mostram que tudo principia em nós mesmos e quanto mais honestos conseguirmos ser conosco mesmos, quanto mais pudermos perceber em nós os erros, ilusões e expectativas, mais e melhores relações seremos capazes de viver sem nos arrepender depois. E o arrependimento, por sua vez, acontece por quê? Muito provavelmente porque não temos a capacidade de perceber que tudo nesta vida é oportunidade; oportunidade de viver a própria vida, escrever a própria biografia e tornar a nossa existência plena de aprendizado, beleza e alegria.

Creio que é nisto que o conhecimento do próprio mapa tem valor, na informação que o mapa oferece de nós próprios, da nossa individualidade, da beleza que somos e que tudo vale à pena se a viagem tem como destino a auto-realização.

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