Quem conhece um pouco sobre o significado dos planetas na Astrologia, costuma reverenciar Júpiter como um planeta que trás prosperidade, abundancia, alegrias, sucesso, enfim as coisas boas da vida. Já Saturno é conhecido como aquele que trás a dor, a frustração, os impedimentos, a escassez, tudo o que a gente não gosta e não quer.
Isto é uma verdade, porém é preciso lembrar que nada sob o céu tem apenas um lado só. Já dizia vovó, “nem tudo que reluz é ouro” e Júpiter, chamado pelos astrólogos antigos de “O Grande Benéfico” tem seu lado bastante negativo, assim como Saturno “O Grande Maléfico” tem um lado extremamente positivo, porém muito pouco valorizado pela nossa moderna cultura.
Júpiter tem a ver com a expansão, com a ausência de frustrações e de limites, exatamente o que o mundo capitalista, sempre ávido pelo lucro, nos propõe quando “promete” a realização plena se adquirirmos, por exemplo, o carro do ano, ou a casa dos sonhos, ou qualquer outro produto que se mostra como “exatamente aquilo que estava faltando para nos realizarmos plenamente”. O nosso mundo contemporâneo é totalmente jupteriano, tanto nos excessos de ofertas e oportunidades, quanto na ilusão de que poderemos ser plenamente realizados se fizermos isso ou aquilo ou se comprarmos isso ou aquilo. O excesso – produto da ausência de limites – nos trás não a felicidade plena mas seu contrário, a insatisfação. Dada a quantidade de opções, quando escolhemos uma coisa, deixamos de lado mil outras que também nos prometem a felicidade, daí que ao adquirirmos algo, já estamos insatisfeitos pois tivemos que abandonar outras tantas possibilidades de “felicidade”.
Outra coisa que ocorre com Júpiter e sua promessa de satisfação plena é a desmedida possibilidade de adquirirmos tudo o que possa trazer mais plenitude, nos torna ávidos por dinheiro, fazendo com que cada vez mais pessoas coloquem a necessidade do ganho material, acima de valores importantíssimos para qualquer convivência digna de seres humanos, que são a ética, a lealdade, o respeito pela própria palavra e acima de tudo, por si próprio.
Na atual conjuntura, costumo dizer, está faltando Saturno! Sim, Saturno com toda a sua carga de responsabilidade, seriedade, morosidade, contenção e por significar os limites – veja que Saturno é o único planeta que contém anéis, mostrando que tudo sob o céu tem seus limites – nos ensina o respeito pelo próximo, nos ensina a amadurecer com as dificuldades e com a escassez de recursos. Saturno, com todo o seu comedimento e frugalidade nos torna muito mais conscientes dos próprios limites mostrando claramente que não é o consumo desenfreado e desmedido que nos torna mais felizes, mas sim o cultivo dos valores sólidos e verdadeiros. É essa a grande riqueza e fonte de verdadeira plenitude que Saturno promete. Porém, ao contrário de Júpiter que tem a qualidade de satisfazer a curto prazo nossos desejos, muitas vezes de forma inconsistente; justamente por ser imediata, Saturno, o “Senhor do Tempo”, pode a princípio parecer lento demais na concessão de suas regalias , mas a longo prazo veremos que os ganhos obtidos dos valores como paciência, perseverança e humildade são, estes sim, os maiores bens que podemos receber. De nada vale a riqueza e a ostentação, se a riqueza interior não estiver em primeiro lugar.
Ilustração: Rose Villanova "Teia entre flores" óleo sobre casca de Melaleuca sobre tela
O Segredo da Felicidade é a Liberdade, o Segredo da Liberdade é a Coragem. Nilton Bonder
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Os humanos diferenciam-se dos animais porque ganharam de presente a inteligência e com isto a capacidade de escolher.
Pois é justamente o que nos dá mais pânico! Escolher e ser responsável por nossas escolhas. Temos um medo atroz do erro, que gera a rejeição e a culpa. Alguém duvida que seja este o motivo de: Igreja, Estado e Mídia terem tanto sucesso?
Se fizéssemos as próprias escolhas, baseados nas próprias necessidades, não haveria tanta tirania e violência no mundo...
Quem acha que a religião é um freio moral para o homem, eu sinto dizer... É exatamente ao contrário! É o freio que gera a violência a qual nasce justamente da ação frustrada. Rose Villanova
Se fizéssemos as próprias escolhas, baseados nas próprias necessidades, não haveria tanta tirania e violência no mundo...
Quem acha que a religião é um freio moral para o homem, eu sinto dizer... É exatamente ao contrário! É o freio que gera a violência a qual nasce justamente da ação frustrada. Rose Villanova
Júpiter e Saturno - As aparências enganam
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Rose Villanova
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